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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

inspiração é respirar.




                        © Paulo Alves  2009.09.22 | Porto (divice:Iphone)


duas marcas do espectáculo de ontem, INSPIRAÇÃO É RESPIRAR, na FNAC/St.Catarina, no Porto- 
o ambiente e a aquisição que me faltava - esta já a repousar em casa...


tratou-se da interpretação oral da poesia de João Negreiros a qual agradece, e muito, à generosidade sonora. 
quem já a leu reconhece-lhe esse sabor. 
assim como lhe reconhece (e agradece) a recusa a estilismos forçados ou a falsas apresentações. 
poesia onde, apesar das palavras "por vezes anoitecidas", sobrevive a mais profunda ternura. 
por isso, este destaque, aqui, a dividir atenções com o elenco do Teatro Universitário do Minho, o qual pela voz e pelos gestos de cinco actrizes o preparou e ofereceu ao país que ainda se quer ouvir.


e por fim "voltem" aqui. há muito que não "via" um poema assim.

terça-feira, 28 de julho de 2009

dose de fatia de doce todos os dias.

Dá-me um bocadinho do teu amor todos os dias
Não mo dês todo hoje que amanhã vou precisar dele outra vez eu sei conheço-me bem e nesse aspecto sou exactamente como o resto da humanidade preciso de ser amado todos os dias só espero não morrer muito velhinho para que o teu amor me dure até ao fim da vida
in "o cheiro da sombra das flores" de João Negreiros

quinta-feira, 9 de julho de 2009

só te vejo pelos meus olhos por serem os que te vêem mais bela.

Se um gesto me definisse seria o de te afastar o cabelo
para te ver melhor o rosto que me enche de bravura e só te vejo pelos meus olhos por serem os que te vêem mais bela por isso os escolho sempre tenho os olhos feitos à medida da tua cara e só tenho olhos para ti
quando não estás sou invisível e quase invisual a visão não me serve de nada vejo mas sem cor e é pior que a preto e branco é desfocado é esbatido e sem chama e sem cheiro contigo cheira bem sabe bem
ouve bem o que digo porque é sincero porque se não fosse todo eu era falso cada falso que há aí merecia cadeia ou morte mas com os teus braços finos a fazer as vezes da corda que me serpenteia o pescoço para me matar de felicidade e só te quero a ti e só te vejo a ti como a última noite do Verão mais quente com o céu mais estrelado com a lua mais cúmplice com os gestos mais carinhosos e tiro-te o cabelo da frente com a ajuda da minha mão direita que só existe para isso e vou para te beijar mas não o faço hesito porque os meus olhos pediram-me que os deixasse olhar para ti mais uma vez e eu deixo para eles não chorarem muito
João Negreiros in “a verdade dói e pode estar errada”

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