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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

horas de deitar.

"Alguns ainda dormem o sono dos justos,
Convictos de que justamente.
Há quem ainda creia em levantar-se cedo
Para surpreender o céu a separar-se da terra.
Há quem prefira deitar-se cedo
Para se habitual ao escuro do sono.
Há quem nunca se deite porque a vida é curta.
Alguns ainda dão os bons-dias e as boas-noites
Sem nunca os confundirem.
Alguns ainda acreditam que é possível ter razão.
Alguns ainda acreditam que o amor nos ama.
Alguns abraçam-se à sua fatalidade
Por verem nela a única salvação.
Ainda há aqueles que acreditam nos bem-aventurados,
Embora vituperem o joio dos felizes,
Alegando que a felicidade não é deste mundo.
Por mim, vou-me deitar."
Nuno Rocha Morais, Ultimos Poemas
(e se repararem no adiantado da hora, já não vou cedo...)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

tristeza, fim.

"Ao teu lado, mudo.
Suponho que pousei a mão
No teu ombro, não sei,
Ausente ambos,
Tu do teu ombro, eu da minha mão.
Lá fora, não muito longe
Do vidro, a manhã passa
E é calma, tristeza, fim."
Nuno Rocha Morais, "Últimos Poemas"

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