"Alguns ainda dormem o sono dos justos,Convictos de que justamente.
Há quem ainda creia em levantar-se cedo
Para surpreender o céu a separar-se da terra.
Há quem prefira deitar-se cedo
Para se habitual ao escuro do sono.
Há quem nunca se deite porque a vida é curta.
Alguns ainda dão os bons-dias e as boas-noites
Sem nunca os confundirem.
Alguns ainda acreditam que é possível ter razão.
Alguns ainda acreditam que o amor nos ama.
Alguns abraçam-se à sua fatalidade
Por verem nela a única salvação.
Ainda há aqueles que acreditam nos bem-aventurados,
Embora vituperem o joio dos felizes,
Alegando que a felicidade não é deste mundo.
Por mim, vou-me deitar."
Nuno Rocha Morais, Ultimos Poemas
(e se repararem no adiantado da hora, já não vou cedo...)

