quarta-feira, 22 de julho de 2009

não me dá jeito lembrar-te assim.

© Paulo Alves | 2009
estar só comigo não é fácil. ao lembrar-te a solidez das coisas quase não me toca. é como esse teu modo exclusivo gastasse todos os meus sentidos. e percorro-te, percorro-te, gasto-te no teu movimento em filigrana, no teu passar frágil, na tua face doce e triste.
fixo-te para que demores ainda mais um momento.
mas, sabes, não me dá jeito lembrar-te assim.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

o que há em mim é sobretudo cansaço.

© Paulo Alves | 2009
O que há em mim é sobretudo cansaço Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto alguém. Essas coisas todas - Essas e o que faz falta nelas eternamente -; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada - Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço. Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...
Álvaro de Campos

sábado, 18 de julho de 2009

encerramos ao fim-de-semana.

bettina gruber

sexta-feira, 17 de julho de 2009

eu sei exactamente o que é o amor.

© Paulo Alves | 2009
fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor. eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer. o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos. o amor é ter medo e querer morrer.
José Luís Peixoto

quinta-feira, 16 de julho de 2009

e aquela sensação de que nunca mais voltarás.

© Paulo Alves | 2009
e ouço o eco da tua voz. que nunca poderei ouvir mais. e vejo os teus olhos que fechas para mim. tu a afastares-te, vestida com camisola nova, tu a afastares-te, definitivamente vincada na minha pele interior. e eu a dizer-te que o que foi pertence ao passado mas existiu. que tudo o que te sobreviveu agride-me. E aquela sensação de que nunca mais voltarás.

terça-feira, 14 de julho de 2009

que nenhuma estrela queime o teu perfil

Que nenhuma estrela queime o teu perfil Que nenhum deus se lembre do teu nome Que nem o vento passe onde tu passas. Para ti eu criarei um dia puro Livre como o vento e repetido Como o florir das ondas ordenadas."
Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 12 de julho de 2009

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